Construindo uma
Identidade Shaolin


Previsão de entrega:
Outubro, 2026
FICHA TÉCNICA:
Capa: Cartão (mole)
Tradição, Chan e Memória Revolucionária na Formação do Praticante
de Wing Chun Kung Fu
Mais do que um simples estudo sobre técnicas de combate, Construindo uma Identidade Shaolin é uma investigação profunda acerca do significado de pertencer a uma tradição marcial. Partindo do universo do Wing Chun Kung Fu, examinamos os elementos históricos, filosóficos, pedagógicos e culturais que participam como componentes indispensáveis da formação do praticante, propondo uma pergunta que atravessa toda a obra: afinal, que espécie de artista marcial — e, sobretudo, que espécie de ser humano — uma escola de Kung Fu pretende formar?
A identidade Shaolin não é apresentada como um título que possa ser simplesmente reivindicado, uma aparência exterior, um conjunto de símbolos exóticos ou uma genealogia repetida sem reflexão. Ela surge como uma construção contínua, produzida pela disciplina do corpo, pelo cultivo da mente, pela consciência ética, pela transmissão entre gerações, pela convivência dentro da família marcial e pela responsabilidade assumida diante do conhecimento recebido. Nesse sentido, o livro ultrapassa as explicações convencionais sobre a origem do Wing Chun para investigar como história, memória, tradição oral, ritos, costumes, narrativas ancestrais e métodos de treinamento se reúnem na formação de uma identidade vivida.
Ao percorrer a matriz Shaolin, a filosofia Chan e os chamados Três Ensinamentos chineses, a obra procura distinguir cuidadosamente aquilo que pertence à documentação histórica daquilo que foi preservado pelas genealogias, pelas tradições orais e pela memória coletiva das comunidades marciais. As narrativas ligadas às sociedades secretas, à Hung Mun, à Flor Vermelha, à Bandana Vermelha, às companhias de ópera e aos célebres Barcos Vermelhos são examinadas não como lendas que devam ser aceitas literalmente, nem como fantasias que possam ser simplesmente descartadas, mas como expressões de uma memória revolucionária que ajudou diferentes gerações a compreender sua origem, sua missão e seu lugar dentro da tradição.
O Chan ocupa posição central nessa reflexão e longe de ser tratado como ornamento religioso ou filosofia abstrata, ele é apresentado como disciplina da atenção, experiência direta, cultivo interior e transformação da conduta. Sua relação com o Wing Chun se manifesta na maneira de aprender, perceber, responder e agir: na transmissão oral acompanhada da experiência corporal, no desenvolvimento da presença, na superação dos automatismos e na busca de uma unidade entre consciência e ação. Chan, arte marcial e cultivo da energia compõem, assim, uma formação integrada na qual o combate não se separa da responsabilidade moral, nem a habilidade técnica pode ser dissociada do caráter daquele que a utiliza.
O leitor encontrará também uma ampla interpretação dos métodos tradicionais de transmissão e treinamento. Conceitos como Métodos de Dentro e Fora da Porta, Transmissão Oral/Recepção Corporal, dentre outros, assim como as formas, os exercícios de sensibilidade, o Chi Sau, o combate, o Hei Gung (Qigong) e os diferentes estágios do currículo, são compreendidos como partes de um caminho pedagógico coerente. Assim, progressão do praticante não se mede apenas pelo aumento de seu repertório técnico, mas pela ampliação de sua percepção, de sua autonomia, de sua maturidade e de sua capacidade de assumir responsabilidades dentro da comunidade.
A relação entre Sifu e discípulo, os costumes da família marcial, os termos chineses, os altares, as saudações, as cerimônias, os uniformes e as narrativas de linhagem recebem uma análise igualmente cuidadosa, pois esses elementos podem se tornar manifestações vazias quando reduzidos à imitação exterior; quando compreendidos, porém, convertem-se em instrumentos de memória e educação. A verdadeira fidelidade à tradição não consiste em obediência pessoal irrestrita, mas na preservação consciente dos princípios que conferem sentido à prática: respeito, honestidade, diligência, lealdade, cuidado com os companheiros e responsabilidade no emprego da habilidade marcial.
Ao acompanhar o percurso dessas ideias desde a China meridional até sua incorporação pela Shaolin Boxing Association em Fortaleza, o livro revela como uma tradição permanece viva ao atravessar épocas, culturas e circunstâncias distintas. Não se trata de copiar superficialmente o passado, mas de compreender seus princípios, reconhecer suas ambiguidades e fazê-los operar de maneira responsável no presente. A experiência de ensino, pesquisa e formação desenvolvida por Alex Magnos converte a obra em uma reflexão que nasce da prática concreta, da convivência com alunos e discípulos e da necessidade de transmitir mais do que movimentos corporais.
Destinado a praticantes e professores de Wing Chun, estudiosos das artes marciais chinesas e leitores interessados em história, filosofia, Chan e cultura tradicional, Construindo uma Identidade Shaolin propõe uma compreensão mais ampla do Kung Fu. Este não é apenas um livro sobre aquilo que o praticante aprende a executar, mas sobre aquilo que ele gradualmente se torna. Uma obra para todos os que reconhecem que receber uma tradição significa também assumir a responsabilidade de compreendê-la, vivê-la e transmiti-la.
Conheça o autor

Alex Magnos
Um apaixonado por Histórias em Quadrinhos desde muito jovem, quando teve meu primeiro contato com os comics norte-americanos através das antigas publicações brasileiras que apresentavam os “comics” norte-americanos, mas A Espada Selvagem de Conan é que seu divisor de águas, marcando definitivamente gosto pela magia que é contar histórias, seja através de narrativas gráficas (HQ). Já no distante ano de 1986, reuniu amigos do colégio para criar um grupo e contar suas histórias, quando então escrevia roteiros para HQ de humor, aventura, heróis, para publicar em fanzines.
Tornou-se um colecionador de HQ desde então, sempre voltado aos gêneros Fantasia Épica / Heroica, Ficção-Científica e Terror. Foi através dos Quadrinhos que descobriu o personagem Conan da Ciméria, e assim, seu criador, o Mestre da Literatura Pulp, Robert E. Howard, de quem é seguidor, admirador incondicional e colecionador de sua obra. Através de Howard, descobriu também H.P. Lovecraft, o mestre do terror cósmico, de quem também é admirador e seguidor. Howard e Lovecraft, com suas formas singulares de narrativa fantástica, belas e aterradoras, tornaram-se suas principais inspirações, em maneira pessoal, para criar suas próprias histórias, somando-se a eles ainda, Alan Moore, Will Eisner, Roy Thomas, Frank Miller, José Saramago, Machado de Assis, Bernard Cornwell e Rodolfo Teófilo.
Em 1999, fundou um grupo literário chamado Os Porteiros Aletófilos, que reunía escritores, poetas, contistas, humoristas e cartunistas, aos moldes do antigo movimento cearense chamado A Padaria Espiritual. Para esse grupo, idealizou e editou um periódico no qual atuou como editor, redator e ilustrador. Em 2001, iniciou um projeto editorial com o qual publicou Quadrinhos e folhetos de Literatura de Cordel. De 2009 a 20012, foi editor da extinta revista Quadrix Comics. Em 2015, fundou a empresa Red Dragon Publisher, com suas divisões: Red Dragon Media, que atuava na área de design, promoção de eventos, comunicação visual e outras mídias (hoje, extinta); Red Dragon Books, selo editorial para publicação de livros em português e inglês; e, Red Dragon Comics / Graphic Novel, selo editorial para publicação de História em Quadrinhos e Romances Gráficos em língua portuguesa e inglesa.
Ainda em 2002, decidiu parar de desenhar para se dedicar totalmente à criação de suas histórias em prosa e em roteiros para HQ, como é o caso de Haken Kreuz que une ficção fantástica, mitologia e seres super poderosos; Crônicas de Ghowndangard, uma grande saga de fantasia épica contando as aventuras do guerreiro nórdico Donner Therondor; Sertão Selvagem que conta a saga de Jonas Solomon, um pistoleiro mercenário que vaga pelo sertão nordestino em uma busca de vingança e fazer sua própria justiça; Lochlann: Guerreiro do Crepúsculo Negro, uma fantástica saga nas Highlands irlandesas, explorando as antigas culturas e mitologias celtas, druidas, britânicas e romanas.
Até o presente momento publicou os livros: Os Espectros da Montanha Negra, (The Spectra of the Dark Mountain) uma fantasia sombria no sertão brasileiro; A Noite do Demônio, (The Night of the Fiend) fantasia sombria durante a inquisição espanhola. No momento está trabalhando na composição do meu próximo livro, um thriller urbano, sempre com o onipresente toque de narrativa sombria, e, paralelamente, continua com as traduções literais para o português dos contos originais de Robert E. Howard – nesse momento dedica-se aos contos de fantasia.
Dessa forma vem se dedicando a finalizar seus projetos literários em paralelo com seu estudo de Filosofia e suas ocupações profissionais como editor, professor, designer, palestrante e empresário internacional de artes marciais.
Ok, se você está acompanhando o trabalho de Alex Magnos em criação de Quadrinhos e Romances Gráficos e deseja segui-lo mais de perto, tendo acesso ao processo de criação, curta e siga sua fanpage no Facebook e Twitter!
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