O Julgamento e a 

Morte de Sócrates

Pré-venda para assinantes

FICHA TÉCNICA:

Autor: Platão
Tradução: Alex Magnos
Editor: Alex Magnos

ISBN:
Gênero: Filosofias
Data da Publicação: Dezembro, 2026
País de origem: Grécia

Selo editorial: Red Dragon Books
Formato: 16x23cm
Capa: Mole e Dura
Interior: pólen 80g
Páginas: 450+

O JULGAMENTO E A MORTE DE SÓCRATES
Edição bilíngue Grego–Português

Poucos acontecimentos da Antiguidade exerceram influência tão profunda e duradoura sobre a história do pensamento ocidental quanto o julgamento e a morte de Sócrates. Condenado em Atenas no ano de 399 a.C., acusado de não reconhecer os deuses da cidade, introduzir novas divindades e corromper a juventude, Sócrates não deixou obra escrita. Aquilo que conhecemos de sua personalidade, de seu método de investigação e das circunstâncias que conduziram à sua condenação chegou até nós sobretudo por intermédio de seus contemporâneos e discípulos, entre os quais Platão ocupa posição absolutamente central.

O projeto editorial O Julgamento e a Morte de Sócrates — Edição Bilíngue Grego–Português reúne, em sequência, quatro diálogos platônicos tradicionalmente associados aos acontecimentos que cercam os últimos dias do filósofo: Eutífron, Apologia de Sócrates, Críton e Fédon. Considerados em conjunto, esses textos formam uma extraordinária unidade narrativa, filosófica e humana. O leitor acompanha Sócrates antes do julgamento, diante do tribunal ateniense, na prisão após a condenação e, finalmente, durante as últimas horas que antecedem sua morte.

Em Eutífron, encontramos Sócrates às portas do Pórtico do Rei, onde deverá responder à acusação apresentada contra ele. O encontro com Eutífron, envolvido em um processo contra o próprio pai, conduz a uma investigação acerca da piedade e da natureza do que é verdadeiramente piedoso. O diálogo adquire significado particular quando colocado imediatamente antes da Apologia: enquanto Sócrates está prestes a ser julgado também por questões religiosas, ele demonstra, por meio da investigação dialética, quão difícil é definir precisamente aquilo que os homens afirmam conhecer.

A Apologia de Sócrates conduz o leitor para o centro do julgamento. Não se trata de uma “apologia” no sentido moderno de pedido de desculpas, mas de uma defesa: a exposição, por Platão, do discurso com que Sócrates teria enfrentado seus acusadores e seus juízes. Diante da possibilidade concreta da morte, o filósofo recusa substituir a investigação da verdade pela retórica destinada simplesmente a conquistar a benevolência do tribunal. Sua defesa transforma-se, assim, em uma das declarações mais poderosas da literatura antiga acerca da consciência moral, da responsabilidade individual, da investigação filosófica e da fidelidade a uma vida orientada pelo exame de si mesmo e dos outros.

Em Críton, a cena desloca-se do tribunal para a prisão. Sócrates já foi condenado e aguarda a execução da sentença. Seu amigo Críton consegue visitá-lo e apresenta-lhe um plano de fuga. O problema torna-se então ainda mais radical: seria legítimo escapar de uma condenação considerada injusta? Até onde se estende a obrigação do indivíduo para com as leis da cidade? É admissível responder a uma injustiça com outra injustiça? A decisão de Sócrates não é apresentada como submissão passiva, mas como consequência de princípios que ele procura examinar racionalmente até suas últimas consequências.

Por fim, o Fédon acompanha o último dia de Sócrates. Cercado por seus discípulos e amigos, o filósofo desenvolve uma extensa discussão acerca da alma, da morte, do conhecimento e do destino humano. A investigação filosófica e o drama histórico tornam-se inseparáveis. À medida que se aproxima a hora determinada para a execução, as questões debatidas deixam de possuir caráter meramente abstrato: Sócrates deverá enfrentar pessoalmente aquilo sobre o que está refletindo. A narrativa culmina na célebre descrição de sua morte pela cicuta, um dos episódios mais marcantes transmitidos pela literatura da Antiguidade.

UMA EDIÇÃO BILÍNGUE

Um dos princípios fundamentais desta edição é a apresentação integral do texto grego acompanhado da tradução portuguesa, permitindo que o leitor tenha acesso simultâneo ao original e à sua versão em português.

Para o estabelecimento da linha grega, o projeto utiliza como referência o texto de John Burnet, Platonis Opera, volume I, uma das edições críticas fundamentais da tradição moderna dos diálogos de Platão. A presença do grego não possui função meramente ornamental. Ela permite que estudantes, pesquisadores e leitores interessados acompanhem diretamente o vocabulário de Platão, confrontem escolhas de tradução e percebam aspectos sintáticos, conceituais e estilísticos que inevitavelmente sofrem transformação quando transpostos para outra língua.

A tradução portuguesa foi concebida para permanecer tão próxima quanto possível da estrutura e do sentido do texto grego, sem sacrificar a inteligibilidade necessária à leitura contemporânea. Termos filosoficamente importantes recebem atenção especial, sobretudo quando uma palavra grega possui uma extensão semântica que não encontra correspondência exata em um único vocábulo português. Nessas situações, a tradução é acompanhada pelo aparato editorial necessário para esclarecer a escolha adotada e indicar outras possibilidades de interpretação.

Esse procedimento procura evitar dois extremos igualmente problemáticos: de um lado, uma tradução excessivamente livre, capaz de tornar o texto mais fluido ao custo de apagar importantes particularidades do original; de outro, uma reprodução mecanicamente literal que, embora aparentemente mais próxima das palavras gregas, produza em português construções artificiais ou obscureça relações que eram perfeitamente compreensíveis para o leitor antigo.

MAIS DO QUE QUATRO TEXTOS REUNIDOS

A intenção desta edição não é simplesmente colocar lado a lado quatro diálogos de Platão. Eutífron, Apologia, Críton e Fédon são apresentados como partes de um percurso intelectual, histórico e dramático, permitindo ao leitor acompanhar a progressiva aproximação da morte de Sócrates e compreender como determinados problemas reaparecem, sob perspectivas diferentes, ao longo das quatro obras.

Religião, justiça, conhecimento, virtude, dever, consciência, relação entre indivíduo e cidade, natureza da alma, medo da morte e sentido da atividade filosófica atravessam esse conjunto. Algumas dessas questões surgem inicialmente em circunstâncias aparentemente particulares e revelam pouco a pouco sua dimensão mais ampla.

A organização do volume procura justamente recuperar essa continuidade. O julgamento de Sócrates não é tratado como um episódio isolado, mas como o ponto de convergência de problemas políticos, religiosos, jurídicos e filosóficos que marcaram a Atenas do final do século V a.C. Da mesma maneira, sua morte não é apresentada simplesmente como o desfecho biográfico de um personagem histórico, mas como o momento em que a própria concepção socrática da filosofia é submetida à sua prova definitiva.

CONTEXTO HISTÓRICO E APARATO EDITORIAL

A edição é acompanhada por estudos e notas destinados a proporcionar ao leitor o contexto necessário para compreender não apenas aquilo que é dito nos diálogos, mas também o universo histórico e intelectual no qual essas palavras foram pronunciadas e posteriormente transformadas em literatura filosófica por Platão.

Questões relacionadas à democracia ateniense, às instituições jurídicas, às acusações apresentadas contra Sócrates, aos procedimentos do tribunal, à religião cívica, aos acontecimentos políticos que antecederam o julgamento e às personagens mencionadas ao longo dos textos são abordadas sempre que contribuem efetivamente para a compreensão da obra.

O aparato também se volta para problemas linguísticos e filosóficos. Palavras gregas de especial importância podem ser examinadas em seu contexto, permitindo ao leitor perceber relações que algumas vezes desaparecem na tradução. Passagens particularmente difíceis recebem esclarecimentos adicionais, bem como referências destinadas àqueles que desejarem aprofundar a investigação histórica, filológica ou filosófica.

O objetivo não é sobrecarregar os diálogos com comentários, mas construir diferentes níveis possíveis de leitura. Quem desejar acompanhar apenas a narrativa poderá fazê-lo. O estudante encontrará instrumentos para confrontar tradução e original. O leitor dedicado à filosofia poderá examinar conceitos e argumentos com maior atenção. E o pesquisador terá diante de si referências que permitam prosseguir além dos limites do próprio volume.

SÓCRATES ENTRE HISTÓRIA, FILOSOFIA E LITERATURA

Qualquer edição desses textos encontra inevitavelmente uma questão fundamental: onde termina o Sócrates histórico e onde começa o Sócrates de Platão?

A resposta não é simples. Os diálogos platônicos são fontes indispensáveis para a compreensão de Sócrates, mas permanecem obras literárias e filosóficas compostas por Platão. Entre o acontecimento histórico ocorrido em 399 a.C. e o texto preservado nos manuscritos existe o trabalho de um autor que foi simultaneamente discípulo, filósofo e escritor.

A presente edição procura respeitar essa complexidade. Não pretende reduzir os diálogos a transcrições documentais do que teria sido literalmente pronunciado, nem dissolver completamente o personagem histórico em uma construção literária. Sempre que necessário, o aparato editorial distingue aquilo que pode ser estabelecido historicamente, aquilo que pertence à tradição antiga e aquilo que permanece objeto de discussão entre os estudiosos.

Essa precaução torna-se particularmente importante na Apologia e no Fédon, textos que exerceram influência decisiva sobre a imagem de Sócrates transmitida pelos séculos seguintes. O filósofo que enfrenta seus juízes sem renunciar à sua missão e o homem que conversa serenamente com os amigos enquanto aguarda a morte tornaram-se modelos culturais cuja influência ultrapassa amplamente os limites da filosofia antiga.

UMA OBRA PARA SER LIDA COMO CONJUNTO

Lidos separadamente, cada um desses quatro diálogos constitui uma obra fundamental. Lidos em sequência, porém, revelam uma dimensão adicional.

No início encontramos Sócrates ainda circulando pela cidade, interrogando alguém que afirma saber o que é a piedade. Depois o vemos diante de seus acusadores, defendendo perante Atenas o modo de vida que escolheu. Encontramo-lo novamente na prisão, recusando uma oportunidade de fuga que violaria os princípios que afirma seguir. Finalmente, assistimos ao seu último diálogo, às despedidas dos amigos e ao cumprimento da sentença.

Forma-se assim um arco dramático extraordinário: do questionamento à acusação, da acusação à condenação, da condenação à escolha e da escolha à morte.

Ao mesmo tempo, esse percurso torna progressivamente mais concreta uma das perguntas fundamentais associadas a Sócrates: o que significa viver de acordo com princípios examinados racionalmente quando a fidelidade a esses princípios exige aceitar consequências extremas?

É justamente nessa união entre pensamento e vida que reside grande parte da força permanente dessas obras.

UM CLÁSSICO PARA O LEITOR CONTEMPORÂNEO

Mais de dois milênios depois do julgamento de Sócrates, as perguntas formuladas nesses diálogos permanecem inquietantemente atuais.

Qual é a responsabilidade de um indivíduo diante da opinião da maioria? O que diferencia convicção de conhecimento? Devemos obedecer às leis mesmo quando acreditamos que elas foram aplicadas injustamente? Existe algo mais importante do que preservar a própria vida? O medo da morte deve determinar nossas escolhas? Qual é a relação entre educação, liberdade de pensamento e autoridade política? Uma sociedade pode tolerar aquele que constantemente questiona suas certezas?

Platão não oferece respostas simples. Os próprios diálogos resistem à redução a fórmulas. É essa característica que explica, em parte, sua permanência. Cada geração volta a Sócrates e encontra novamente problemas que julgava pertencer apenas ao mundo contemporâneo.

O Julgamento e a Morte de Sócrates — Edição Bilíngue Grego–Português nasce do propósito de colocar esse conjunto novamente diante do leitor em toda a sua riqueza histórica, filosófica e literária. Ao reunir o texto grego integral, uma tradução cuidadosamente trabalhada e um aparato destinado a esclarecer os aspectos essenciais das obras, esta edição procura aproximar dois mundos separados por mais de vinte e quatro séculos sem apagar a distância que existe entre eles.

O resultado pretende ser, simultaneamente, uma porta de entrada para quem encontra Sócrates pela primeira vez e uma edição de consulta para aqueles que desejam retornar aos textos com instrumentos que permitam examiná-los mais profundamente.

Porque acompanhar o julgamento e a morte de Sócrates significa assistir a muito mais do que aos últimos dias de um filósofo ateniense. Significa retornar a um dos momentos fundadores da reflexão sobre consciência, justiça, liberdade intelectual, responsabilidade e sentido da própria filosofia.

Outras obras na Loja

0
0
Seu Carrinho
Seu carrinho está vazioVoltar para a loja